Houve um tempo em que jogos eletrônicos consistiam apenas em uma disputa pelos maiores placares. Praticamente todos os títulos lançados para Atari 2600 e outros sistemas da época eram convertidos de Arcades onda a busca pelos records de pontos era o único objetivo.

Na geração seguinte, além da melhora substancial na parte gráfica e sonora, os jogos ganharam em complexidade, as fases deixaram de ser telas estáticas e com isso a criação dos mesmos passou a ser mais trabalhadas, sendo necessária uma equipe para desenvolvê-los, com level designers, músicos, artistas gráficos, etc…

Nessa época, alguns conceitos ficaram muito evidentes: A figura do “Boss” é uma delas. Aquele que iria concentrar todas as dificuldades encontradas durante o nível na forma de uma batalha, às vezes fácil, as vezes absurdamente difícil. Outro conceito era existência do continue, que permitia o jogador continuar no mesmo nível onde ele recebeu um game over com as suas vidas restabelecidas. Três vidas, três continues… Praticamente um padrão, eram essas as armas oferecidas ao jogador para chegar ao final do jogo, e dificilmente isso era conseguido na primeira tentativa. Em outro sistema de continue, haviam passwords (as vezes quilométricos) que permitiam o reinicio de um nível mesmo que o console fosse desligado. Megaman era um desses exemplos. Em qualquer um desses casos, o desafio era extremo, e muito dos jogadores que se consideram “hardcores” hoje em dia, cresceram com base nessas premissas.

Com o passar do tempo, alguns cartuchos passaram a incorporar a função de salvamento, muito embora isso não significasse a diminuição da dificuldade, já que basicamente os passwords foram substituídos por esse tipo de save. Nos consoles da geração seguinte, como o PSX, foi incorporado o memory card, que fazia praticamente a mesma coisa que um cartucho com bateria, e ainda não funcionava da maneira atual, já que os jogos ainda estavam em uma fase de transição.

O titulo deste artigo se refere aos jogos e aos novos gamers da era Playstation 2, XBOX ou superiores. A maioria dos jogos atuais contam um sistema de saves que oferece algumas regalias ao jogador. Nos jogos de mundo aberto, como GTA, é permitido salvar a qualquer momento. Em outros tipos de jogos, existem vários checkpoints no meio das fases, de onde é possível continuar infinitamente após ter sido derrotado. Em alguns títulos da série Prince of Persia, por exemplo, o número de chekpoints é elevado ao extremo. Mas afinal, isso é bom ou ruim?

A indústria dança conforme a música. Vinte anos atrás, o mercado era bem diferente, e hoje em dia, os videogames já superam os filmes em rentabilidade, por isso existe a preocupação de fazer jogos que não sejam frustrantes para a maioria, e seguindo o modelo também dos filmes, a maioria dos jogos são feitos para contar uma história, e serem terminados. Raramente se vê um jogo com dificuldade absurda como Battletoads, onde o objetivo não era “zerar”, e sim ver até onde você conseguiria chegar.

É uma boa discussão… O que é melhor? As facilidades dos checkpoints, ou sentir as mãos suando e os batimentos cardíacos acelerados ao chegar no último Boss com a última vida do último continue? Deixo essa questão no ar…

Marcos Henrique

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21 Comentario(s)

  • Emeagate_ 5 anos atrs

    Hoje o problema vai bem mais além do fato de querer um jogo que não tenha saves, passwords, ou que te faça começar do início quando morre.

    Uma parte dos jogadores não tem mais tempo pra jogar "hardcoremente" como antigamente, quando o máximo que faziam era ir pra escola, voltar e fazer a lição pra então poder se dedicar. Hoje esses gamers trabalham, tem família e uma vida social bem mais ativa. Então é preferível se dedicar a uma jogatina sem compromisso, com checkpoints que gravam o avanço a cada 3 passos pra ele não perder tudo, já que ele logo, logo, tem que ir lá dar atenção pra outra coisa mais importante.

    A parte que sente falta dos jogos sem saves são mais saudosistas. E outra, mesmo alguns saudosistas, usam os emuladores pra matar suas saudades, e qual o artifício que veio junto destes programas? Save States, não deixando mais uma distância tão grande e ajudando a terminar aquele jogo dificílimo que não conseguimos na infância.

    Eu acho melhor a facilidade dos checkpoints, afinal não tenho mais tanto tempo quanto tinha antes. E quanto à adrenalina? Já me basta o chefe e clientes buzinando no ouvido.

    • Lpolon 5 anos atrs

      eu não acho que isso é desculpa. Eu tenho o tempo X para jogar o jogo que me interessa. Dependendo do jogo eu jogarei com a maior dificuldade possível e pronto. Sei que estou longe de ser o único que faz isso..

    • "Então é preferível se dedicar a uma jogatina sem compromisso, com checkpoints que gravam o avanço a cada 3 passos pra ele não perder tudo, já que ele logo, logo, tem que ir lá dar atenção pra outra coisa mais importante. ".

      Essa é uma questão bastante particular, porque tem muita gente que não é muito ocupada e pode se dedicar aos jogos. Vamos ao exemplo do Call of Duty, que foi citado no post: Ele tem todas essas facilidades, e apesar de uma boa história, o modo single player é bem curto, e o próprio jogo vai te empurrando para que ele seja finalizando em curto espaço de tempo. O chamariz maior do game é o modo multiplayer, mas se eu não tiver tempo pra me aprimorar no jogo, tanto em nível de armas e skills, como pegar todos os macetes da jogabilidade em si e decorar os mapas, essa experiência online será totalmente frustrante. Claro que sempre se pode jogar somente com amigos, mas pra uma pessoa que não tem tempo, casar horários é uma coisa bastante complicada.

    • Poisony 5 anos atrs

      Concordo em partes.

      Acho que o mercado, do jeito que está agora, abre espaço pra todo tipo de jogo e jogador, e que esse argumento de "alguns jogadores não tem mais tempo de se dedicar aos games" periga dar a mensagem de que NENHUM jogador quer continues limitados, dificuldade insana ou falta de saves. O que é longe da verdade.

      Eu me considero um cara até saudosista nesse sentido algumas vezes. Claro que em alguns momentos quero toda a facilidade de "save states" e "checkpoints" pra terminar um jogo com calma e apreciar sua história como um Bioshock ou Half-Life da vida, mas eu curto o desafio de um "3 vidas – 3 continues" de um Contra 4 ou Gish. Fora que não é porque não se tem mais tempo pra nada na vida que essas coisas tenham que se extinguir. Precisa trabalhar/sair/dar bola pra namorada? Seja melhor e vá terminar o jogo mais rápido!

      • Emeagate_ 5 anos atrs

        Mas então, Half-Life e Bioshock (sobre esse último não sei direito) pode salvar em qualquer lugar, mas a vida não é regenerativa. Daí o save não afeta tanto quanto um Call of Duty ou um Gears que tem o Wolverine como personagem principal e a cada sessão é um save.

        Levei em consideração as estatísticas, que segundo ela, hoje a maioria dos jogadores tem entre 18 a 40 anos, sendo os que (alguns) trabalham e estudam e (outros alguns) constituem uma família.

        E Contra 4 não é difícil… é um ato de violência extrema ao seu ego em duas telas. Só não digo que é pior porque eu pelo menos cheguei no quarto estágio, enquanto no primeiro mal saí do segundo.

        • Poisony 5 anos atrs

          As estatísticas estão corretas, e não vou contra elas. Mas, repito, tem que ter espaço pra tudo. É leviano interpretar que "menos tempo pra jogar = jogos com mecânicas que peguem o jogador na mão o tempo todo" (e se produtoras pensarem assim, pode acreditar que teremos jogos bem chatos e medianos no futuro próximo). Dentro dessas categorias, tem jogadores de perfis de comportamento totalmente diferentes, e generalizar é um perigo. Fica que nem a discussão hardcore x casual (que é uma besteira, nem todo mundo é totalmente hardcore ou casual em jogos o tempo todo).

          Que é isso, Contra 4 é retardado de fácil no Easy e relativamente tranquilo no Normal, se você souber o que está fazendo. Chega na segunda fase no modo Hard sem perder nenhuma vida e aí sim a gente conversa. Ou então jogue Super C, o "Contra 2". Esse é o Contra dos fortes e bravos.

          • Emeagate_ 5 anos atrs

            Covenhamos que poder salvar o progresso a qualquer momento não é pegar na mão do jogador. Vide Fallout New Vegas, posso salvar quando quiser, mas o maior desafio dele é (caso esteja jogando no hardcore) ter água, comida, cama e munição o suficiente, além da vida não regenerar como os outros. O que deixa o jogo bem mais difícil, independente dos saves. (Tenho quase 200 horas de jogo, jogando aos poucos em dia de semana por não ter tanto tempo e me dedicando um pouco mais nos finais).

            Me dei bem melhor no Super C, Contra Force, Contra 3 e outros do que no 1 e no 4. No primeiro se eu chegasse no final da segunda fase pelo menos estava bom.

          • Poisony 5 anos atrs

            Na maioria dos jogos não é mesmo, porque é algo implementado pensando na jogabilidade. Mas tem certas mecânicas que se popularizaram, tipo essa de regenerar vida, que pode ser totalmente justificada em alguns jogos (tipo Gears of War), mas em outros corta totalmente o desafio e tensão. Pra ganhar vida basta ficar num cantinho de cover e não fazer NADA! São mecânicas, e tem jogos que se dão bem nelas e jogos que não. Claro que isso vai da opinião de cada um, e tem o pessoal que curte esse cabestro dos Call of Duty, mas divago.

            Pra você ver, eu terminei* o primeiro Contra e o Contra 4, mas não passei da terceira fase do Super C nunca nessa minha vida. E Contra 3 eu só terminei de dupla mesmo, sozinho eu nunca arrisquei.

            *Konami code que eu não sou de ferro também, porra.

  • Hoje em dia é opcional a dificuldade de um jogo, não to falando de nível de dificuldade Easy, Normal e Hard, mas sim dos achievements. Se você é um jogador que só quer a experiência de ver os acontecimentos do jogo por que isso te satisfaz vc vai conseguir. Mas se vc que é um gamer hardcore e quer desafio e superação os achievements estão ai para isso.

    Antigamente tinha uma coisa que era péssima os jogos não tinha curva de aprendizado. Você era jogado no meio da bagunça e se vira ai. E isso é errado, hoje em dia o jogo que faz isso é uma droga. Com exceção do Demons Souls que é muito bom.

  • Lpolon 5 anos atrs

    Ue, Platinum games. O Easy deles é mais fácil que assassin's creed e o HARD faz qualquer jogador "sério" chorar e deixa demon's souls com cara de c*.
    =p

  • Daniel Avelan 5 anos atrs

    eu acho que não dever nem simplificar demais nem complicar demais.O ink ribbon do resident evil eu acho muito interessante,pois te permitia continuar indefinitivamente,mas você tinha que ser estratégico quanto a posição do Save.Agora,um jogo tipo o call of duty,com vida regenerativa,cobertura,e excesso de munição,não deveria dar check point algum nas missões,afinal,na pior da hipoteses,você perderia 15 minutos de avanço.
    Complementando,só dizendo aqui:o save do cod2 era foda.Um dia eu pulei de um prédio,cai e morri,mas deu checkpoint durante a queda.E rapaz,missão de cod 2 era no minimo meia hora.

  • Interessante esse ponto de vista… Ano passado eu joguei o Goldeneye 007 de Wii, que tem um sistema de checkpoints e restauração de vida similar ao do Call of Duty. Confesso que me diverti muito mais jogando o modo mais difícil do jogo, onde aparece uma barra de life (tipo o Goldeneye do 64) pra substituir a restauração automática…

  • Não entendo o saudosismo extremo dos gamers. O quick save do gears 3 é um bom exemplo, qual o sentido de eu retornar num desafio já superado? O tempo demandado nas repetições não existe mais e ainda assim quem não tem o que fazer pode se divertir com o replay(achievments etc…)

  • Eu acho que dependendo do tipo de jogo, a repetição faz parte, como nos títulos de plataforma. Considero a inclusão do "Super Guide" no New Super Mario Bros, e no Donkey Kong Country Returns (série que sempre foi conhecida pela sua dificuldade) uma das maiores aberrações dos últimos tempos…

    • Poisony 5 anos atrs

      Não acho tããão aberração assim. Foi a forma que a Nintendo encontrou pra fazer sua franquia se adaptar aos novos tipos de jogadores que ela trouxe pra si. E é opcional, além de tudo. Não quer Super Guide é só não usar, oras bolas.

      Super Guide é tipo o Game Genie, só que em outro contexto.

  • RogerDKS 5 anos atrs

    Estranho é que na semana passada encontrei 4 memory cards antigos que eu nem lembrava mais ter… Fiquei pensando nas horas e mais horas de diversão que deveriam estar guardadas em cada um deles.. Uma pena não ter ninguém com um play por perto para relembrar o que deixei em cada um …

  • RobsonCC 5 anos atrs

    Bons tempos dos nossos queridos memory cards, lembro de uma vez que eu queria gravar o Pepsi Man é pedi um memory card emprestado de um amigo meu, num e que o bixo de pau no meu ps1, minha mãe na época quase me mata hehe. E também me lembrei agora que o Diablo 1 prescisava de 10 slots. Nostalgia foda agora.

  • killer.hd 5 anos atrs

    No inicio eu achava muito foda MC, mais hoje eu vejo o quanto eles são escrotos principalmente
    depois de correr a internet inteira atrás de um pra GC e não achar, maldita Nintendo XD

    Melhor MC de todos os tempos foi o do DreamCast, o VMU era algo de outro mundo pena que não
    vingou, se fosse hoje com os Smart phones da vida aposto que ele faria um sucesso do caramba !
    talvez virasse ate tendencia vai saber :)

    muito legal a coluna Marcão, parabéns

    Abs !

  • Hoje em dia eu não tenho nem uma fração do tempo que tinha antes para jogar.
    Eu ainda gosto de jogos difíceis, mas devido a falta de tempo, um jogo que me permita salvar com frequência é praticamente mandatório, afinal não quero perder horas de jogo só porque tive que sair.