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Nessa semana, nosso colaborador João Salvadoretti, fala de Europa Universalis III um jogo de estratégia para PC.

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[gameinfo title=”Game Info” game_name=”Europa Universalis III – Chronicles” developers=”Paradox Interactive” publishers=”Paradox Interactive” platforms=”PC” genres=”Estratégia, Grand Strategy” release_date=”26/01/2007″]

Lançado em 2007, Europa Universalis III foi a aguardada continuação da série de jogos de “Grand Strategy” produzidos pela Paradox, desde lá recebeu quatro expansões – In Nomine (2007), Napoleon’s Ambition (2008) e Heirs to the Throne (2009) recentemente: Divine Wind (2010), além de duas compilações, sendo a mais recente o Europa Universalis III – Chronicles (2011).

A principal diferença, o que caracteriza o “Grand Strategy” está na escala, enquanto que na maioria dos jogos você joga normalmente contra até oito ou mais oponentes, na série Europa Universalis você escolhe um país entre mais de trezentos espalhados pelo globo, contra os quais irá jogar em tempo real, indo desde 1399 a 1822. O próprio mundo é muito grande, pois é todo dividido em imensa quantidade de províncias, cada uma produz uma matéria prima ou algum tipo de bem, além de possuir uma cultura dominante e o conjunto províncias formam os países.

Você não é exatamente o governante de uma nação, mas quase que um poder por trás das cenas, que é afetado pela mudança de quem é o governante naquele momento, o que é determinado pelo tipo de governo. Monarquias dependem muito dos herdeiros, mas elas possuem um sistema, melhorado com o Heirs to The Throne, em de Royal Marriages para aproximar casas reais e melhorar relações. Já as Repúblicas escolhem um governante, mas não dispõem destes casamentos. Com Divine Wind a China ganhou o sistema de Facções, o Japão possui o Shogunato, enquanto que as “Hordas” como a Horda de Ouro e o império Timúrida possuem mecanismos próprios. Além disso, há um sistema para representar o Sacro Império Germânico.

Essencial a sua nação são os níveis de Prestigy, que influencia a sua diplomacia; Infamy que aumenta ao tomar certas decisões e ao fazer demandas em uma guerra, e que pode virar pretexto para outras nações ataca-lo; já o Legetimacy diz quão forte é o direito ao trono do governante atual. Por fim, temos o Stability, que determina quão “estável” está o país e afeta o risco de revoltas.

Há cinco tipos de agentes disponíveis, Colonizadores que são usados, obviamente, para colonizar províncias “não ocupadas”, e que a partir do Divine Wind, podem ocupar terras possuídas pelas Hordas. Além destes, temos Mercadores, que podem ser despachados para diferentes mercados; Diplomatas são usados para conduzir negociações; Espiões podem realizar missões para enfraquecer seus inimigos; Cléricos, que são usados para converter a população; e os recentes Magistrados adicionados com o Heirs to the Throne podem construir diferentes estruturas. Existe também a possibilidade de recrutar até três tipos de Conselheiros para a sua corte.

É possível “customizar” a sua nação por meio de elementos como as National Ideas são “idéias” adotadas pelo seu povo, cada uma delas dá benefícios diferentes, por exemplo: Conquest of the New World libera a possibilidade de recrutar exploradores e conquistadores; já o National Bank reduz a sua inflação. De tempo em tempos, você poderá definir certos aspectos da sua nação por meio do Domestic Politic Sliders – uma série de barras que podem ser movidas para uma extremidade à outra em – Centralização/Descentralização; Aristocracia/Plutocracia; Qualidade/Quantidade; Terra/Mar; Mercantilismo/Livre Comércio; Doutrina Ofensiva/Doutrina Defensiva; Servidão/Liberdade; Inovação/Mente Fechada.

Ao longo do jogo você vai acumulando três tipos diferentes de Tradições – Military Tradition, ao ganhar batalhas e com certos eventos e que permite recrutar generais e conquistadores melhores para seus exércitos, Naval Tradition, que funciona de modo igual, mas permite recrutar almirantes e exploradores. Já o Cultural Tradition é usado para recrutar diferentes tipos de conselheiros.

Religião é um assunto igualmente importante, cujo sistema foi melhorado com In Nomine, além de ser motivo para muitos tipos de Casus Belli, diferenças religiosas podem ser sementes para revoltas. O jogo apresenta sistema para simular a Santa Sé, na qual países católicos podem conseguir ter bispos em Roma e até um Papa.

Com um mundo tão vasto, diplomacia tende a ser vital – alianças podem tanto lhe proteger como trazer problemas já que não atender ao pedido de ajuda de um aliado tem graves conseqüências. Outras opções, além do Royal Marriage, incluem: oferecer que um país menor se torne seu vassalo, garantir a independência de alguém, clamar um trono, lançar ofensas (ou presentes), embargos econômicos e outras.

A economia do jogo, bem resumidamente, funciona do seguinte modo: suas províncias geram impostos diretos e taxas de comércio obtidas ao longo do tempo. Este dinheiro é aplicado em pesquisa, esta dividida em: Government (libera novas formas de governo e National Ideas); Trade (melhora a desempenho dos seus mercadores); Production (a eficiência de suas manufaturas e novas construções); Naval (desempenho de sua marinha, novos tipos de navios e distância máxima para colonizar); Land (desempenho de seus exércitos e novas unidades) e Stability. Se precisar de mais dinheiro você pode “imprimir” mais moeda o que aumenta Inflação, ou pedir um empréstimo, mas que se não for pago terá sérias conseqüências.

Eventos aleatórios, clássicos da série, apresentam um desafio que se encaixa bem na proposta do jogo, ao invés de uma simples decisão do tipo “boa” ou “má” você terá escolhas complexas, que nem sempre tem uma saída positiva e muitas vezes têm conseqüências aleatórias. Além destes, de tempo em tempo ocorrem as Missions, que como o nome sugere são objetivos que oferecem alguns bônus serem compridos. Existem também as Decisions que são diferentes tipos de atos ou decretos.

Como em qualquer jogo do estilo, ocorreram guerras, mas a diferença está que elas estão ligadas a diferentes tipos de “Casus Belli” que são as justificativas para ela e que determinam o que pode ser exigido na negociação de paz. Tentar começar uma guerra sem um “Casus Belli” resulta na perda de estabilidade e imagem política.

Seu exército será composto de regimentos de Infantaria, Cavalaria e Artilharia, porém, a quantidade máxima deste é limitada pelo seu Menpower, que representa a parcela da população disponível para formar ou reforçar regimentos. Isto que dizer que você precisar ser mais cuidadoso, sofrer grandes derrotar ou mesmo vitórias a altos custos é problemático, pois recuperar estas baixas vai demorar. Também há a opção de recrutar mercenários, estes não dependem do Menpower, mas que custam mais caro. Claro é possível, e vital, usar uma Armada, composta de Navios de Guerra, Galeras e Navios de Transporte.

Quanto maior um exército mais suprimentos ele exige, obtendo estes da província em que se encontra, mas cada uma delas tem um valor máximo que é capaz de suportar e se o exército for mais pesado, começa a ocorrer os efeitos do Atrito, que representa a perda de soldados por fome, doenças e deserção. Armadas também sofrem atrito ao ficar muito tempo em alto mar com o risco de naufragarem.

Você não controla as batalhas diretamente, mas poderá ver seu desenrolar. A vitória em uma batalha dependerá de quem está no comando, tecnologia, disciplina, moral, terreno e sorte. Isso pode parece algo meio limitado, porém significa ainda mais cuidado, ao mandar uma tropa para batalha não há como garantir exatamente o que ocorrerá, o que adiciona mais tensão.

À medida que uma guerra se prolonga os países envolvidos começam a sofrer os efeitos do – War Exhaustion – que representa desgaste causado por ela. O WE vai subindo ao longo da guerra, principalmente com derrotas, e quanto maior ele, maiores são as chances de revoltas, e para agravar, ainda que ele vá diminuindo com o tempo, ele é constante de uma guerra para a outra. A vitória em uma guerra é decidida em uma negociação de paz, proposta por um dos lados, no qual as vitórias, que incluem – ocupar províncias, derrotar exércitos, bloquear portos – de cada lado são comparados em uma pontuação, quem tiver mais poderá fazer diferentes demandas.

Europa Universalis III, pode à primeira vista parecer um jogo intimidador, porém não é um jogo difícil, pois suas mecânicas são bastante intuitivas. Seus gráficos melhoram bastante em relação ao jogo original, principalmente como Divine Wind que mudou bastante os gráficos e interface. Graças a sua dimensão de tempo e espaço e detalhe, Europa Universalis III oferece uma jogabilidade única, sendo muito envolvente. Um elemento muito interessante é que o jogo vai registrando tudo que ocorre – guerras, batalhas, províncias obtidas ou perdidas, mudanças religiosas – e vai formando uma “história” da sua nação dividida por governante.

Trailer:

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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9 Comentario(s)

  • Poisony 5 anos atrs

    Wow, taí um tipo de jogo que eu não esperava num Tô Jogando. Não sei se vai ter muitos comentários porque, assim como essa série, essa resenha foi uma leitura pesada, admito. Mas perseverei e consegui chegar ao final do texto, woo-hoo!

    Tenho conhecidos übernerds que adoram esse subgênero de "grand strategy". Tem um que adora Europa Universalis, Empire Total War* e odiou o Civilization V porque ele ficou muito CASUAL. Queria ter essa capacidade de aprofundamento, acho um estilo muito legal, cheio de fatores pra administrar.

    *não sei se conta como "grand strategy", mas parece ter mecânicas semelhantes.

    • Alderic 5 anos atrs

      Obrigado, o review ficou grande mesmo por ser um jogo mais complexo (mas também não tanto) e por ser pouco conhecido, tentei reduzir o que dava mas era meio inevitável.

      De certo modo sim, Total War é grand strategy principalmente nos mais recente devido ao número de países envolvidos.

  • Bem,pelo que li até agora(na verdade eu li tudo,se trata apenas de uma expressão linguistica digna de um boçal) montar meu armario seria mais fácil que compreender a mecânica desse jogo.Vou começar devagar,o dawn of war,comandos,depois um comand and conquer,até chegar nesse nível.RTS pra mim é algo complicado,pois eu sempre sou atraído por batalhas epicas com mais de mil soldados,mas sempre acabo afastado pela complexidade.

    • Poisony 5 anos atrs

      Porra, montar um armário é fácil!

      Sempre é bom começar também por Age of Empires (o I e o II), Dark Colony e Total Annihiliation. Esses são RTS fáceis fáceis de se pegar o jeito.

    • Alderic 5 anos atrs

      Haha

      Na verdade, EU nem é tão complexo, a questão é que ele é bem diferente – dai que dá essa impressão, jogando é relativamente tranquilo. Tem coisa por ai bem mais complicada, Heart of Iron é um da Paradox que nem eu me impolguei para jogar e olha que sou fã da Paradox, outro que a complexibilidade fez ele ficar ruim é o Masters of Orion 3 (parecia microsoft office no espaço de tanta planilha).

      Concordo com os jogos que citou.

      • Poisony 5 anos atrs

        Legal saber desses outros da Paradox. Pra mim, Paradox ficou muito tempo sendo "aquela que fez Tropico", hahaha.

        • Daniel Avelan 5 anos atrs

          Então,a Paradox ficou Paradex no Tropico?
          LOOOOOOOOOOOOOOOOL

          • Alderic 5 anos atrs

            Pessoal , na real a Paradox não tem nada haver com Tropico, que é atualmente é da Kalypso.

            A Paradox sempre foi conhecida pela série Europa Universalis que é o seu carro chefe, além destes ela tem outras franquias no estilo como Victoria, Hearts of Iron, Crusader Kings, Rome Magicka e Sengoku.

            Ela também distribui alguns jogos de outras developers como Sword of the Stars (Kerberus), King Arthur (Neocore), Mount & Blade (Taleworlds) e outros.

  • Nervmaster 5 anos atrs

    Eu jogava o Hearts of Iron.

    E sempre tentava transformar o brasil numa potência. Ou unificar militarmente a américa do sul e mandar bala nos eua.

    Mas em invadir era uma negação. Mas economicamente ficava com superávit imenso. E riquíssimo. O único porém é que não se podia deerubar o getulio vargas…