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Depois de um pequeno hiato (uhhh), por falta de material, voltamos com a colaboração de Thiago Nunes, que nos conta sobre o bizarro The Binding of Isaac, jogo oldschool para PC e MAC.

Agora leia atentamente, comente e se você escreve razoavelmente bem, não deixe de mandar sua colaboração para o Tô Jogando!

[gameinfo title=”Game Info” game_name=”The Binding of Isaac” developers=”” publishers=”” platforms=”PC, MAC” genres=”” release_date=”28/09/2011″]

Edmund McMillen é um game designer. Não um game designer no nível de grandes dinossauros como Peter Molyneux ou Shigeru Miyamoto, mas já fez mais que o suficiente pra estar em evidência na esfera de jogos independentes. Participou como designer de personagens e animador em Braid, o fenômeno indie da mente de Jonathan Blow, que subiu a barra da qualidade que jogos de plataforma e puzzle deveriam ter (indies ou não) e, principalmente, figura como exemplo de que jogos podem ser, sim, arte. Além disso ele desenvolveu jogos como Gish, Coil e o título que mais lhe rendeu reconhecimento e lhe fez abrir uma produtora de games: Super Meat Boy. Muito já foi dito sobre o Super Meat Boy (pelo Fênix Down até), uma verdadeira homenagem aos jogos oldschool, inclusive na dificuldade extrema.

E é aí que setembro de 2011 aparece para PC o jogo The Binding of Isaac, com o design do McMillen. A primeira vista, é um outro jogo homenageando o oldschool. Tem mapa, chaves, dinheiro e bombas, o que lembra Zelda 2D, enquanto que as salas geradas aleatoriamente lembram jogos estilo dungeon crawler, como acontece em Diablo. E o fato de você morrer e voltar pro começo do jogo sem nada do que coletou lembra como jogos antigos eram filhos-da-puta nesse quesito. Mas tudo isso só serve pra montar o palco da história macabra que o jogo conta. Começa mais ou menos assim:

Isaac era um garoto feliz que vivia uma vida feliz e morava no meio do nada com sua mãe. Sua mãe adorava ver programas católicos na televisão o dia todo. Até que um dia ela ouviu a voz de Deus. E Ele então disse que seu filho Isaac estava corrompido pelo mal e tudo aquilo que era mal deveria ser retirado dele. A mãe obedece e retira do filho tudo aquilo que julga ter influência maligna. Mas mais uma vez a voz divina irrompe e diz que Isaac ainda está corrompido pelo mal e deve ser isolado para que a influência maligna não o atinja. A mãe mais uma vez obedece e tranca o pobre garoto no quarto. E é claro que a voz surge dos céus pela terceira vez e diz que o garoto precisa ser sacrificado como prova da lealdade da mãe para com Ele. A mãe pega uma faca de açougue e vai em direção ao Isaac, que vê tudo através da fresta da porta e começa, desesperado, a buscar uma saída. Eis que ele acha a tal saída: um alçapão com um fosso profundo.

Sentiu? Fanatismo, psicose e a inspiração direta de uma história da Bíblia que aconteceu também com outro Isaac. E a partir daí a coisa fica mais e mais bizarra. Os inimigos são moscas, larvas, caveiras, pedaços de carne, cabeças flutuantes, fetos mal-formados, bebês deformados (seriam outros filhos perdidos?) e um mundo de sangue, excremento e rochas que só vai ficando pior e mais difícil e incômodo.

Mas não se desespere porque apesar da jornada ser frustrante, o jogo conserva uma máxima positiva do mundo oldschool: “se não te explicam pra que serve, o conhecimento é poder”. Durante a sua jornada, Isaac encontra pílulas e itens que você não sabe exatamente o que faz até que use. E é na experimentando e lembrando o que é bom, inútil ou ruim que torna cada jogo mais interessante e cada tentativa mais recompensadora. Fora que, assim como no Super Meat Boy, você nota que é um jogo em que você se torna melhor e mais habilidoso à medida que joga. Ah, claro, também tem achievements e vários finais, itens e personagens para serem destravados.

The Binding of Isaac pode ser comprado por cinco dólares no Steam (seis com a trilha sonora) ou então no pacote do Humble Bundle (que está sendo feito enquanto escrevo esse texto) se você quiser doar para as fundações de caridade do projeto. É um jogo bizarro, diferente de tudo que já foi feito esse ano e que pode não cair no gosto de quem esteja procurando algo muito inovador ou genial em termos de jogabilidade (ele é controlado no melhor estilo dual-stick shooter, como em Smash TV ou Geometry Wars, onde você move e atira independentemente), mas o background e a história do jogo são macabras e interessantes. E é capaz que faça você voltar para as dungeons mais e mais vezes.

Trailer:

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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32 Comentario(s)

  • GeneralDoPanda 5 anos atrs

    Já faz um tempo que eu vinha observando esse jogo na Steam, mas não sabia sobre o que era.
    Agora que sei acho que vou correr atrás. Ótima escolha de jogo e ótima review.

  • Daniel Avelan 5 anos atrs

    mas,existe alguma explicação pra todas aquelas criaturas no porão?

    • FelipeRaabe 5 anos atrs

      Um pacote de trakinas esquecido em baixo da cama.

      • Daniel Avelan 5 anos atrs

        posso me arrepender de perguntar,mas:sério?

        • Poisony 5 anos atrs

          Felipe tá de brinks. Não tem nenhuma explicação exatamente, fica tudo na teoria.

          Quer dizer, pelo menos ATÉ agora não teve explicação. O jogo tem finais diferentes pra cada vez que tu termina ele, e são muitos.

          • FelipeRaabe 5 anos atrs

            Poisé, se levar em conta o que os criadores falaram do Super Meat Boy no IndieGamesPodcast, acho que não vão dar nenhuma resposta, já que, de acordo com eles, a galera pararia de criar teorias e perderia a graça;

          • Daniel Avelan 5 anos atrs

            hum…no meu tempo isso se chamava preguiça ¬¬

  • Jogo exelente! Um dos melhores jogos do ano, na minha opinião.
    Vale cada centava, ainda mais se comprar pelo Humble Bundle.

  • pfmpaulo 5 anos atrs

    É sem duvida nenhuma um dos jogos mais pertubadores já feitos sahsuahs

    Comprei, e na hora que eu tava jogando, nao me tocava muito, mas depois que eu fui fazer outras coisas e fui relembrando alguns chefes, é tenso =)

    • Poisony 5 anos atrs

      Uns inimigos que eu tenho muita pena é os que tem a cara inchada (parece ferroada por abelhas) e ficam fugindo de ti. Eles não dão dano quando você encosta, são totalmente inofensivos.

      Já os chefes, um show a parte. Meu favorito é o Monstro.

  • Thiago Cantalupo 5 anos atrs

    Porra Kazz, estava escrevendo o Tó jogando desse game = ) Ia até começar com Gênesis 22 versiculo 2. Mas, ótimo texto. Agora deixa eu ir guardar essa bíblia se ficar mais tempo na minha mesa é capaz de entrar em autocombustão.

    • Poisony 5 anos atrs

      O Kazz não tem culpa disso, coitado, hahaha.

      • Thiago Cantalupo 5 anos atrs

        Não, mesmo essas coisas acontecem e o texto do Kazz ficou muito bom.

        • Poisony 5 anos atrs

          Fui eu que escrevi dessa vez. Obrigado. =D

          • FelipeRaabe 5 anos atrs

            Então a culpa é sua!
            Parabéns pelo texto e pela pesquisa, eu sou fã da dupla do Team Meat e nem sabia que o McMillen tava no Braid D=

          • Poisony 5 anos atrs

            Admito a culpa e… pois é, não sabia até a época do podcast sobre Braid do Nowloading, em que eles entrevistaram o McMillen.

          • FelipeRaabe 5 anos atrs

            Ah… no cast, eles entrevistaram o David Hellman…

  • E Deus disse que os os pecados de Isaac nunca seriam compensados dessa forma.
    Então a mamãe doou Isaac para a caridade.

  • mika_souza 5 anos atrs

    Cara, eu preciso jogar isso.

    • Poisony 5 anos atrs

      Tu vai curtir, mika. É como se o Zelda Link To The Past tivesse um modo survival-só-dungeon-do-seu-pior-pesadelo, hahaha.

  • Comprei o jogo no mesmo dia que li a review.
    Pena que ainda não tive tempo de zerar =/

  • Samir Rolemberg 5 anos atrs

    O jogo é inicialmente frustrante.

    Mas depois que você entende realmente como o sistema funciona ele se torna um jogo muito gostoso de ser apreciado.

    E na maioria das vezes você conta mais com a sorte de como as coisas aparecem no mapa do que por algo que você já conhece.

    Alguns itens valem sempre uma passada na loja, já que é importantissimo manter um nivel alto de moedas.

    E saber realmente se vale a pena fazer os pactos. Que na maioria das vezes são itens/mods muito legais mas a custo do seu pv… que fará falta no final.

    E saber usar a fisica do jogo a seu favor também faz toda a diferença. Principalmente sobre alguns inimigos que são apenas a cabeça.

    • Poisony 5 anos atrs

      É verdade, é uma crítica recorrente ao jogo que eu esqueci de citar. O fator sorte conta bastante, mas com o tempo tu consegue tirar o melhor do que aparece.

  • Já faz um tempo que eu vinha observando esse jogo na Steam, mas não sabia sobre o que era.
    Agora que eu sei, vou FICAR LONGE DELE.

    • Poisony 5 anos atrs

      Pelo conteúdo do seu blog, imagino que tenha um ótimo motivo pra ficar longe mesmo, e respeito isso. Não é um jogo que recomendaria para um cristão mais fervoroso, hahaha.

  • Rafael A. 5 anos atrs

    Jogo muito bom e divertido, cheio de piadinhas, tem até o shoop da whoop (ri muito com isso).

    O ruim é que esse jogo é MUITO difícil e se você morre volta para o começo =\

    • Poisony 5 anos atrs

      Sabe que achei mais fácil que um Super Meat Boy? Sim, tu volta pro começo, mas cada vez que você volta tu encontra itens novos e descobre o que eles fazem, o que te faz jogar melhor na próxima tentativa.

      Hahahaha, sim, tem o Shoop da Whoop, bombas com troll face, cadáveres forever alone. É cheio de referência a memes.

      • Rafael A. 5 anos atrs

        Tbm achei isso, mas tem que dar sorte também, cabei zerando ele super fácil com um monte de item loco. O replay dele é muito bom.

  • Poisony 5 anos atrs

    The Binding of Isaac em promoção de outono! Só US$2,50! http://store.steampowered.com/app/113200