Estamos começando mais uma HYSTERIA, sua coluna quinzenal sobre cultura gamer.

Ultimamente, quem mais tem ligado o videogame em casa é minha esposa, e não pense que é pra jogar Dance Central, não senhor, ela descobriu o mundo maravilhoso da Netflix. O problema é que enquanto estou produzindo algum material pro site, vejo ela lutar ferrenhamente com o catálogo, não que haja muitas opções, mas ela simplesmente gasta um bocado de tempo navegando pelo menu… Vendo isso de camarote, comecei a lembrar da época áurea das locadoras de games no Brasil, e como eu ficava horas, literalmente, olhando pras capinhas dos jogos e não conseguindo decidir qual levar pra casa no fim de semana.

Uma lâmpadinha brilhou e pensei, por que raios eles não implantam um serviço parecido com jogos eletrônicos? Seria bem simples, utilizando o mesmo princípio, você escolheria um jogo, faria o pré-load e um contador começaria a zerar à partir da primeira jogada, veja bem, esse timer não seria de gameplay, e sim à partir da primeira vez que você apertou o bendito START. Com o prazo de 24, 48 horas, etc, o jogo deletaria automaticamente do seu HD, mas antes te dando a opção de renovar a locação.

Tudo me pareceu lindo por um instante, pensei que ficaria milionário, mas não, praticamente todo mundo já pensou ou vislumbrou isso antes. Pesquisando, descobri que essa era uma das idéias primordiais da própria Netflix, o projeto se chamaria Qwikster, e em algum momento, eles se decidiriam entre entregar jogos e dvds por correio ou digitalmente, mas o plano foi abandonado por tempo indeterminado.

Se analisarmos a tecnologia, isso já é possível há alguns anos, para PC temos o Steam e diversos outros serviços similares como a Origin, nos consoles, temos o ambiente para compra online de jogos em formato digital, portanto seria extremamente simples aplicar esse sistema de locação, mas para tudo na vida existe um porém…

As empresas estão fechando o cerco nos jogos usados, quem dirá sobre locadoras, a próxima geração periga utilizar travas vinculando seu console ao software, vetando essa possibilidade. É difícil enxergar quem está errado nessa história, se é que alguém está tomando atitudes incertas, as desenvolvedoras estão desembolsando cada vez mais “obamas” nas produções, e precisam garantir o lucro pra continuar existindo num mercado cada vez mais draconiano

Por outro lado, com essa tática, estão barrando aquele consumidor em potencial, aquele cara que ouve e lê toda hora nas mídias sociais como tal jogo é imersivo, os memes que ele originou, ou como aquele amigo está se divertindo com a experiência proporcionada, etc… Ele sente vontade de experimentar aquilo, mas não quer desembolsar 60 dólares… é um investimento alto em algo que ele nem sabe se vai gostar… se ele pudesse locar, num ambiente online prático e barato, isso estaria resolvido.

Tudo isso é conjectura meus amigos, só o tempo irá dizer se um serviço para games, como a Netflix fez com os filmes, irá vingar. Nos resta então discutir nos comentários, em como viabilizar uma proposta ambiciosa como essa. Quem sabe um dia chegaremos em casa, ligaremos nosso console, escolheremos um título e jogaremos no conforto do lar, sem precisar mover um músculo… sim, seremos extremamente mais gordos, mas felizes em igual escala. Até a próxima HYSTERIA.

Agradecimentos, links e jabás:
Gostaria de agradecer ao feedback positivo que a coluna vem recebendo por vocês leitores, e também fazer um belo dum jabá… Agradeço aos amigos bêbados/safados/malucos do Gamer Inconstante pelo convite pra gravar o podcast deles, e também à Semana Gamer, uma idéia maluca e sensacional, eles simplesmente garimpam tudo que foi lançado sobre games em sites nacionais e selecionam a nata pra você, numa newsletter dominical totalmente excelente.
- Gamer Informante #15: PIKARETA!
- Semana Gamer

Gamer de nascença, nerd tetudo de carteirinha e bêbado por opção.

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35 Comentario(s)

  • happyjoin 4 anos atrs

    VISIONÁRIO!
    3/5★?

  • ogrokun 4 anos atrs

    O netflix dos games é o http://www.onlive.com/

    • pois é huahuahua ja existe….

      • pedrohenri 4 anos atrs

        mais ou menos né!?
        O que o Márcio propõem é a locação, com direito a download do jogo completo. O que o onlive não faz, já que tudo é streaming.

        • Heitor Polidoro 4 anos atrs

          O que a onlive faz? (Não rola fuçar no site agora)

        • Mas aí fica complicado. Até pq o próprio Netflix É streaming.
          Fica complicado pq é isso q bota medo nas produtoras: o cara baixa o jogo completo, craqueia e pronto, não precisa mais alugar, uhauhahua.

          Creio q o OnLive é a única solução. Agora, se for pra baixar jogo completo, as produtoras só aceitariam com um esquema de DRM bem forte, o que creio que só atrapalharia.

  • Aê Marcio, to com o mesmo problema, tá difícil tirar a patroa da frente do Netflix.
    Um sistema de tipo daria certo se fosse creditado uma porcentagem da "locação" à produtora do game. Aí, acredito eu, teríamos até um incentivo a esse mercado. Seria um tiro mais certeiro no combate à pirataria do que essa história de online pass e etc, desde que, é claro, fossem cobrados preços compatíveis com cada mercado.

  • Bom, antes que mais um leitor venha falar groselha nos comentários, como fizeram meus caros Ogro e DiegoGC, vou explicar o que é o OnLive…

    1 – Onlive é um periférico que simula um console, visto que o hardware dele é bem pífio, você "compra" (não aluga) um jogo e o gameplay ocorre por streaming, sendo a qualidade gráfica inerente à sua velocidade de conexão.
    2 – O OnLive não está presente em nenhum console da atual geração, apenas para PC e pelo próprio preiférico.

    Portanto, o OnLive não é nem de longe o NetFlix dos games.

    • ok, mas faltou a referencia né?

      • Que referência? Vc diz eu ter citado o OnLive na matéria? Não era a idéia do texto, acho o OnLive uma proposta totalmente diferente do que foi dito na coluna, e fica pra um próximo tema mais a ver, algo como distribuição digital de conteúdo ou cloud computer, etc.

        • ogrokun 4 anos atrs

          Eu ia responder a mesma coisa que o Paulo ja fez abaixo =P O onlive tem modalidades "netflixicas"

    • pfmpaulo 4 anos atrs

      O Onlive tem tudo a ver com isso.
      Vc nao só compra jogo por ele não, vc pode muito bem alugar o jogo por 24, 48, 72h pagando um preço beeeeeem menor do q comprar acesso a versao completa. E o periferico eh completamente opcional.
      Inclusive vc pode até testar o jogo por meia hora.

      • pfmpaulo 4 anos atrs

        Na verdade, o Onlive é tao parecido com a NetFlix que eles também possuem um pacote em que vc paga uma mensalidade e tem acesso a um determinado número de jogos que fazem parte lá do pacote, que se nao me engano acaba sendo quase todos.

        E tipo assim: "… e o gameplay ocorre por streaming, sendo a qualidade gráfica inerente à sua velocidade de conexão."
        O NetFlix é o que mesmo? =P

        • Mas Paulo, existe uma grande diferença entre um hardware rodando jogos e um streamming de vídeo, inclusive muita gente temia o que o lag poderia influenciar na experiência do gameplay e etc… o meu objetivo com o texto foi focar num ambiente de locação online nos consoles e não no PC. Mas realmente os pontos que vc levantou sobre o onLive foram extremamente válidos, existe uma nuvem pairando sobre esse serviço aqui no Brasil, não conheço ninguém que o tenha testado, valeu pelo feedback.

          • Aqui eu uso o on-live as vezes para testar um ou outro jogo, mas por essas bandas o lag é bem notório, um FPS fica injogável por exemplo, mas o streaming roda de boa sem travadas ou lag por parte do jogo, os gráficos são bem razoáveis, com as opções muito provavelmente configuradas de médio para baixo. O serviço é bem interessante, entretanto aqui no Brasil ainda é impraticável pagar por ele, só quando tiver servidor por aqui mesmo.

  • Mister_I 4 anos atrs

    Eu acho, que a distribuição digital (e isso inclui a suposta ''locação digital'') nos Pcs só foi viavel plea queda no consumo de jogos de pc que havia até pouco tempo atrás. Não acho que lojas como a gamestop, como ja é comentado a muito tempo, vão largar o osso tão cedo. Aliás acho que uma boa solução aqui para o brasil seria uma rede dessas, com um braço forte de venda de usados e etc…

    PS: achei o serviço da netflix aqui bem meh… a biblioteca é muito pequena

  • Grande Márcio, excelente coluna novamente!

    Recentemente fiquei sócio de um serviço de locadora online de games, que entregava em casa a mídia física, que foi bem interessante – a Videogamers.
    O serviço, quando assinava, custava uns 35 reais por mês, você tinha direito a trocar um jogo por mês nesse plano mais básico, mas tinha dois "drawbacks":

    1- Praticamente impossível alugar lançamentos.
    2-A devolução, apesar de gratuita, exigia que você fosse fisicamente a alguma agência dos Correios.

    Eu confesso que só cancelei porque fiquei sem tempo para jogar, então eu fiquei uns 3 meses com Bayonetta – pagando mais caro que o preço do game efetivamente – e senti que estava sub-aproveitando o serviço.

    PS: Obrigado pelo Jabá, Márcio! Se quiser passar lá no Gamer Inconstante, portas abertas, tu tá ligado!

  • Existe um site bem legal que lista todo dia os lançamentos no catálogo da NetFlix http://blog.lancamentosnetflix.com.br/

  • pedrohenri 4 anos atrs

    Acho que a ideia legal e promissora se eliminarmos alguns poréns. Um fator importante para isso seria a faixa de banda máxima que temos no Brasil, isso se considerarmos que todo gamer disponibilizaria uma boa quantia de dinheiro para uma conexão boa e uma franquia ilimitada. Outro ponto importante, que eu acho que prejudicaria a ideia, é o tempo que ficaria com você e a velocidade que você faria uma troca. Acredito que passaríamos mais tempo fazendo download do que realmente jogando.
    Isso me parece muito com um demo pago, com o diferencial de o jogo estar completo, isso porque teriam jogos que não teria como terminar, por motivos pessoais ou pela extensão do jogo.

    Se fosse um preço convidativo e um tempo considerável acho uma boa, mas dificilmente teria um fluxo alto de consumo por uma mesma pessoa. Seria realmente para experimentar o que o jogo pode oferecer na sua totalidade.

  • Heitor Polidoro 4 anos atrs

    Eu não sei, também acho complicado pelo o que o Pedro comentou, jogos são muito grandes e passaria mais tempo baixando do que jogando. É uma idéia bem bacana, mas com a nossa realidade de banda larga acho que fica inviável.

    Você quer sentar a bunda no sofá escolher um jogo e jogar. Não quer ter que esperar nem que seja 1h pra poder jogar, ou se planejar um dia antes. Talvez se fizessem um sistema em que o jogo baixa o mínimo pra começar e fosse baixando 'on-demand'.

    Um jogo de luta baixaria o menu e a tela de seleção de personagem e depois baixaria só os personagens selecionados e o cenário, e fosse baixando o resto enquanto o jogo rola. Ou um jogo em mundo aberto que baixaria a parte inicial e depois fosse baixando os arredores.

    Mas acho que o seria mais interessante seria um esquema em que você pagasse mensalmente e pudesse jogar a vontade. Ai existiriam os planos que poderiam ser por "Tempo depois do lançamento". Tipo se quiser jogar os lançamentos no dia, paga caro, ou pague mais barato e só jogue depois de 1 ano, algo assim.

    Abraços

    • ogrokun 4 anos atrs

      A solução é o streaming. Netflix ta ai pra mostrar que com uns 5 mega ja da pra ver video com qualidade boa.

      "ah mas tem o problema de atraso, que em games nao pode ter nenhum"

      Isso se resolve com servidores localizados no Brasil.

  • Olha aí pessoal em "meia hora" de conversa já apareceu muitas sugestões/soluções. Basta vontade para implantar um sistema que funcione e que seja viável economicamente. Como disse, um sistema parecido com o Netflix em que as produtoras recebessem uma porcentagem das locações vai estimular o sistema e por outro lado tendo um preço competitivo pode ser uma forma de combater a pirataria.

    • Esse lance da porcentagem seria legal, mas acho que isso já rola automaticamente, no NetFlix por exemplo, acredito que os estúdios fechem um pacote e recebam uma quantia referente à cada assinatura mensal dos clientes.

  • Mister_I 4 anos atrs

    O onlive não deixa de ser streaming.

  • Heitor Polidoro 4 anos atrs

    Sim, isso que eu sugeri teria que mudar a implementação do jogo para ele ir baixando as coisas "próximas" e meter uma tela de "loading" caso não tenha baixado ainda.

    • Na real, acho que vcs estão complicando muito o sistema, acho muito mais fácil como eu disse no post, vc efetua um pré-load do jogo, com uma conexão de 10 mb em 4 à 5 horas vc baixou um jogo de 8 gb. Aí, um timer de 24h ou 48h começaria a contar à partir do primeiro START.

  • Outra coisa bacana seria implementar um lance de categorias, por exemplo:

    – Pacote só de jogos antigos: R$ 5,00 por mês.
    – Pacote de jogos antigos até 2011 (sem lançamentos): R$ 15,00 por mês.
    – Pacote completo, inclusive lançamentos: R$ 30,00 por mês.

  • B0NATTI 4 anos atrs

    Foda pra caralho Marcio.
    Eu não sei se usaria hoje um serviço desses…. mas até ai, nunca pensei q usaria o Netflix e hoje sou viciado nessa merda. Tem coisas que não tem como a gente lutar contra mesmo, é só questão de nos acostumarmos com a ideia.

  • Sim, aos poucos, todo mundo cai na pegadinha do "primeiro mês é de graça" e depois fica refém dessa desgraça, esse fds assisti a merda fumegante daquele filme "O Pacto"… maldita Netflix.