E lá vem a E3 de novo com suas promessas de quais serão as próximas cascatas de produtos que nos farão entrar de novo no cheque especial – ou recorrer a torrents, se a carapuça servir para alguém. Quem acompanha as notícias do setor já deve saber mais ou menos o que esperar da Electronic Entertainment Expo 2012, mas ela acontece mesmo assim porque toda uma indústria imensa tem interesse nisso. Afinal, ela é a maior feira de jogos eletrônicos do mundo, não?

Na bem da verdade… pode até ser a maior feira de games AAA, mas atualmente está longe de merecer um nome tão abrangente como “Exposição de Entretenimento Eletrônico”. Games Triple-A não são mais as únicas formas de diversão eletrônica que existem, se é que algum dia já foram. E longe de desmerecer o evento, porque parte do futuro dos jogos eletrônicos e boa parte do da indústria mainstream estão lá. E suas novidades brilhosas são sempre de encher os olhos de um aficcionado da área como eu, para dizer o mínimo – é tudo tão Broadway! E as booth babes… fazem uma falta…

Para mim, ela soa como o Salão de Automóveis: um evento imenso e cheio de mídia que gira a indústria, mas que também se propõe a pegar apenas um nicho do mercado, que “só por acaso” é o mais difundido. Nada mal, nada mal. Mas se você vem prestando atenção na direção dos ventos na indústria dos games, deve ter notado que acontecem coisas grandes, muito grandes, que não aparecem na E3. Jogos sociais e indie, para citar apenas os dois exemplos mais claros, com seus Farmvilles e Angry Birds da vida captando os rios de dinheiro que todo investidor de orçamentos multimilionários de AAAs sonha.

Por isso, vamos dedicar um minutinho antes do começo desta quase Copa do Mundo para falar dos campeonatos igualmente mundiais das séries B e C, e um ou outro regionais, de onde você pode esperar pelo menos parte dos grandes sucessos do amanhã. Se você é do tipo que gosta de um jogo de Kongregate ou Armor Games ao menos perto do quanto daqueles que saem para PS3, X360, Wii ou qual for sua preferência, guarde sua curiosidade sobre WiiUs e franquias caríssimas para daqui a alguns dias e dê uma olhada aqui nos eventos mais “underground” possíveis que ainda acontecerão neste ano, antes que o mundo acabe.

Evento: Vamos começar logo com a E3 dos jogos Indie (e um nada underground): o IndieCade, um festival que ocorre entre os dias 4 e 7 de outubro na mesma região da E3 convencional: Los Angeles, EUA. Mais precisamente, por diversos pontos de Culver City, uma cidade conhecida por ser o coração das indústrias cinematográficas, teatrais e digitais de entretenimento e que praticamente fecha para o evento na ocasião. O IndieCade contém uma série de premiações – em reconhecimento e também em dindim mesmo – para jogos sem publishers (é assim que eles definem um jogo indie), além de uma conferência de três dias com grandes nomes do mundo dos games e do chamado IndieXchange, uma oportunidade para produtores se encontrarem com empresas do ramo a fim de mostrarem seus produtos, trocarem cartões e, quem sabe, conseguirem aquele patrocínio maroto.

Por que prestar atenção nele: É o maior encontro voltado para o mercado indie na atualidade. Eles aceitam inscrições de todo o mundo, então você não precisa se preocupar de ficar por dentro apenas do mercado norte-americano. Além disso, é uma grande oportunidade para produtores novos devido às facilidades que eles dão para se inscrever, de forma que a exposição não fica restrita apenas às empresas indie e aos grandes produtores. É um evento, de certo modo, promovido para revelar talentos, além de para difundir os jogos independentes, e muitas pessoas grandes do cenário mainstream mundial levam bastante a sério as revelações achadas aqui. Pena que ele é bem recente, data de 2011 a primeira edição oficializada, então não se tem ainda uma base para dizer quanto o IndieCade influenciou a indústria, mas se aceita um conselho, fique de olho aqui. Pelo menos ele promete grandes coisas ainda.

Evento: A Game Music Brasil (GMB) é um prêmio repleto de apoios que vão desde a MTV nacional à produtora Hive e associações como a Acigames e a Abragames. É mais voltado (surpreendentemente!) para a parte musical dos jogos, mas possui, entre suas cinco categorias deste ano, a de melhor jogo indie. Apesar disso, este concurso não se restringe aos independentes, e premia também trilhas sonoras de jogos AAA, bem como outros tipos de sonorização digital.

Por que prestar atenção nele: Porque é um prêmio brasileiro. Grande. E diferente, com seu foco em um dos muitos aspectos dos games, que é a música. E porque, ao mesclar mainstream e indie, ele acaba por reunir em um só lugar dois pólos da indústria que tem muito a ganhar com encontros do gênero. Tirando isso… Você me pegou. A menos que você seja músico ou se interesse por novas tendências nessa área, suponho que faria mais sentido você esperar o próximo Video Games Live. Mas como os resultados serão de qualquer modo anunciados nela (dia 14 de outubro, em São Paulo), você acabará informado de um jeito ou de outro.

Evento: O IndiePub… não é uma exposição. É um site repleto de anúncios de jogos que entram em crowdfunding, lançamentos e por ai vai. A questão é que eles possuem prêmios anuais que variam de US$ 50 mil a US$ 150 mil para jogos indie, com diversas categorias, atraindo bastante interesse por parte dos desenvolvedores. As inscrições já encerraram este ano, diga-se de passagem.

Por que prestar atenção nele: Porque pode ter certeza que ninguém dá cento e cinqüenta mil dólares de graça. Ali estão projetos que interessam a grandes empresas e gente de qualidade que produz jogos que você, estudioso ou apenas aficcionado por games, deveria jogar. Simples assim: encontre os nomes dos jogos lá e procure-os pelos sites das empresas. Aqui é garantia de qualidade, e se você estiver cansado de pastar por páginas e páginas de joguinhos em flash para achar um que preste, as listas daqui valem uma olhada.

Evento: PAX. A Penny Arcade Expo. Não é exatamente um festival apenas de games indie, lá também aparecem jogos de mesa e muitos nerds estranhos com sabres de luz. Mas, apesar de não ser o lugar em que você provavelmente iria querer ver o seu filho se tiver um, com aquele monte de gente estranha falando klingon ou qualquer coisa assim, possui uma forma curiosa de exposição chamada PAX 10. Cinquenta profissionais da área escolhem, dentre todos os jogos indie inscritos, dez que consideram os melhores e abrem estandes para que seus produtores os divulguem. Não é um prêmio em si já que não há um único vencedor, mas os dez escolhidos são jogos novos e que você faria bem em experimentar. Vai de 31 de agosto a 2 de setembro.

Por que prestar atenção nele: Porque apesar de não revelar todos os games inscritos e certamente omitir alguns que são muito bons, ao menos ele expõe um número interessante de jogos que você faria bem em… Caramba. Déjà vu?

E para concluir, não menos importante que tudo, aqui está a síntese de tudo o que falamos, os encontros entre o lado famoso e o (ainda) nem tão famoso da indústria!

Bom… não é sempre que conseguimos resolver tudo de forma amigável como em um concurso…

Isto tudo só para mostrar algumas das opções que você tem para conhecer grandes games de pequenos orçamentos (e alguns nem tanto…) e expandir sua cultura gamer para além da E3 e Tokyo Game Show. Há muitos outros, na verdade, incluindo prêmios semanais e mensais de vários sites de jogos. Uma página só não comporta a quantidade de feiras, troféus e eventos que estão pipocando por ai, então sinta-se livre para acrescentar outros nos comentários se conhecer algum interessante.

Aliás, alguém ai é desenvolvedor de games indie? Se sim, já participaram de algum prêmio, mostra ou exposição do gênero? Como foi?

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Fonte do video: http://www.youtube.com/user/MrFandubX?feature=watch

Rafael P Moreno

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