Joao Salvadoretti – vulgo Alderic – nos enviou seu review do jogo de estratégia Crusader Kings II. Não deixem de conferir!

[gameinfo title=”Game Info” game_name=”Crusader Kings II” developers=”Paradox Interactive” publishers=”Paradox Interactive” platforms=”” genres=”Grande Estratégia” release_date=”14/02/2012″]

Como no original, CK 2 é não é um jogo sobre governar um país ou reino, é sobre dinastias e as pessoas que as compõem. Você assume o papel de um conde, duque ou rei cristão entre 1077 e 1399, e depois vai jogando como os herdeiros deste, seu objetivo é garantir a sobrevivência e prosperidade de sua dinastia.

Você tem um mapa dividido em inúmeras províncias, cada uma é governada por um conde, prefeito ou bispo, acima deste estão os duques e arcebispos e no topo temos reis e imperadores. A novidade é que agora cada província é dividia em pequenas regiões que podem ser ocupadas por baronatos, burgos ou templos.

Cada uma destas pessoas tem atributos, habilidades, família, amigos e inimigos, traços dinâmicos e hereditários, fora que agora cada uma possui a sua própria árvore genealógica, além de ambições e desejos e até um retrato que vai se alterando com o tempo e função ocupada por ela.

Muito do jogo gira em torno das relações entre elas, o que é refletido pelo mecanismo de Relationship – cada pessoa tem uma opinião da outra de acordo com as diferenças ou semelhanças de personalidade o que influência o modo que iram agir. Este sistema também é afetado por suas decisões e eventos aleatórios, de modo que tudo no jogo vai construído e modificado este atributo.

Uma das suas grandes preocupações será a questão da sucessão, pois o jogo acaba se não houver mais herdeiros, e mesmo que você tenha um, este poderá ser revelar incapaz ou morrer antes da hora, além dos problemas que podem surgir entre os irmãos. Além disso, cada sucessão é quase como um jogo novo, pois as relações não são iguais, aliados podem se revelar inimigos e estes podem virar aliados. A forma da sucessão dependerá do tipo de Lei Sucessória vigente no reino, que determina quem é o herdeiro primário e como os títulos e terras serão divididos.

Para obter herdeiros, você precisa de casamentos, em CK 2, a diplomacia é guiada por eles pois são única forma de segurar alianças, além de ser uma boa maneira de colocar um herdeiro na linha sucessória de um outro reino. Mas, esta não é sua única opção diplomática, você pode conceder títulos honorários ou terras; pedir ou oferecer vassalagem; oferecer-se para juntar-se a guerra de outro senhor, e claro, tentar pedir para o Papa excomungar alguém ou conceder um divórcio.

Uma das mecânicas novas do jogo é o sistema de Plots – cada pessoa no jogo pode assumir uma trama ou ambição com um determinado fim. Uma vez escolhido o objetivo, a pessoa pode então ir atrás de outras que podem ajudar na intriga, porém há o risco da trama ser descoberta ou falhar. Mais uma vez o Relationship é essencial, pois é ele que determina se aceitam ou não. Em CK 2 há sempre alguém tramando algo contra alguém, o que resultada em um mundo dinâmico e tenso.

Assim como no primeiro jogo, guerras são inevitáveis e ainda exigem que a pessoa que quer declarar guerra possua algum direito ao título pretendido ou que exista alguém em sua corte com direito a ele, isso no caso de luta entre reinos cristãos, caso contrário, pode atacar os infiéis livremente.

Porém, o modo que você recruta as tropas mudou: além das retiradas de suas terras pessoais, agora você pode erguer soldados de seus vassalos a qualquer momento, mas a quantidade obtida dependera de sua relação com eles. Foram adicionadas ordens religiosas (como os templários) e bandos de mercenários que podem ajudar. Outro diferencial é que os vassalos começam a ficar irritados se suas tropas não forem devolvidas logo, enquanto que mercenários podem se revoltar se não forem pagos e ordens religiosas podem se recusar a lutar contra pessoas da mesma fé.

A organização das tropas também mudou: agora elas se reúnem no sistema de três alas, cada uma comandada por um nobre (que pode às vezes ser apontado por você). Em uma batalha (que não é controlada pelo jogador) cada ala se choca com ala inimiga oposta. Durante a luta os nobres envolvidos podem tanto conseguir realizar feitos quanto serem mortos, feridos ou capturados.

Para auxilia-lo a governar, você tem, como no CK 1, o Council – que permite escolher nobres para posições de Chancellor, Steward, Marshal, Spymaster e Court Chaplain, com o diferencial que cada uma das posições agora tem ações especiais.

Uma vez que o foco do jogo é mais pessoas e suas relações, os elementos econômicos são relativamente simplificados, você obtém taxas das províncias que lhe pertencem diretamente e pode construir estruturas nelas. Além disso, você ganha certa quantia de impostos de seus vassalos dependendo das Leis do Reino, que determinam a autoridade do suserano sobre os seus vassalos – o quanto de impostos e tropas os eles devem fornecer, se eles podem realizar guerra privadas, e quem é responsável pela investidura de bispos e arcebispos, se é você ou a Igreja. É possível alterar elas, tornando mais rígidas ou brandas, porém você precisa da aprovação dos vassalos.

No aspecto técnico, a interface está muito melhor, ainda que algumas funções possam ser um pouco difíceis de serem localizadas, as informações que você precisa estão bem mais acessíveis. Os gráficos estão bons para um jogo deste estilo, nada espetacular, mas com pequenos detalhes, como os já mencionados retratos dinâmicos dos personagens e outros, como os exércitos tendo modelos diferentes no mapa de acordo com a cultura. A música, também composta por Andrew Waldetoft, principal compositor da Paradox, é talvez a sua melhor trilha já composta.

Crusader Kings II talvez seja um dos melhores títulos já lançados pela Paradox, é um dos mais acessíveis, ainda que possa parecer um pouco confuso, mas é fascinante pelo aspecto que o jogo captura muito bem, das relações entre as pessoas e a suas histórias. E as sucessões garantem que o jogo nunca fique repetitivo e apresente sempre desafios novos.

Trailer:

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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4 Comentario(s)

  • Muito bacana o texto Alderic, deu até vontade de experimentar o game pelo jeito que vc falou do clima de conspiração e relacionamentos, e o gameplay "dinâmico". Mas temo que eu nunca venha a jogar nenhum game de estratégia por turno da Paradox, pois se esse é um dos mais acessíveis eu não quero nem saber qual é o mais complexo. XD
    A interface e mecânicas do game são bem complicadas pra um não-iniciado e eu que já me confundo em CIV…
    Apesar de achar legal o visual estilo tabuleiro animado, não é um jogo pra mim. Mas pra quem curte jogos do gênero realmente parece uma boa pedida.

  • LesmaPsicotica 3 anos atrs

    Eu nunca tinha ouvido falar de CK, mas vendo pelo seu texto me interessei bastante. Um jogo de estratégia focado na politicagem é algo bem interessante.

  • Biostalker002 3 anos atrs

    Muito legal o review. Fiquei mais curioso em ler pelo "Miguel Falabella" com espada na capa do post

  • Cara, que saudade desse jogo! Belo review e acreditem apesar do gráfico ser muito simples, o enredo é muito legal. Diversão garantida….