No dia em que eu for famoso e estiver no Arquivo Confidencial do Faustão (ainda existe isso?) e a reportagem da globo for atrás dos meus professores pra saber se eu fui um bom aluno, claro que eles vão dizer que sim. O que é não é muito verdade… Sentava no fundão, mas não pra fazer bagunça – só pra poder ler meus quadrinhos / estudar física naquela aula chata de geografia/português. Nunca fui muito de estudar em casa, deixava esse tipo de atividade para a véspera da prova – como todo bom enrolão. Por isso sempre me satisfiz com um belo 7. Se viesse um 8, 9 ou 10, melhor ainda. E quando vinha uma nota menor que 6… bem, vou ter que estudar pra próxima prova. Um 7 é uma nota boa, certo?
Não na atual indústria de games.

É difícil definir quando as notas começaram a escalonar de tal forma, mas eu tenho uma marca pessoal que considero o ápice desse movimento boçal: o maldito 40 que a Famitsu deu para o Nintendogs original. Essa nota só foi alcançada por mais dois jogos de DS: Dragon Quest IX e Pokémon Black / White. Então um tamagochi de cachorros está no top 3 melhores jogos de DS? Esse simulador de puppets virtuais é melhor que The Legend of Zelda: A Link to the Past? Que o Game-of-the-Generation Red Dead Redemption? Ambos ‘tiraram’ 39 na famitsu, nota inferior ao do Nintendogs. Não rola. Não comigo.

Antes de tudo, o que garante a nota máxima? Perfeição? Não conheço NENHUM jogo perfeito… Gráficos? Então o primeiro Tomb Raider deve tomar um 4, enquanto o novo leva um 10 – e a nota vai decaindo com as mudanças de geração! Diversão? Quesito estremamente subjetivo. Adorei o Far Cry 3 e não gosto de PES, então o Shooter da Ubisoft vale um belo 9 enquanto o jogo do esporte bretão leva um belo 2. Efeitos sonoros? Jogabilidade? Enredo? Fatores de Replay? Troféus? Multiplayer? A imensa maioria desses fatores é extremamente subjetiva, e muitas vezes é diretamente relacionado ao ambiente do jogador, e não da experiência do jogo em si. Imagine comparar a qualidade gráfica ou sonora de um jogo em uma tv de 14′ ou numa tela de 40′, com a saída de áudio num HT da Onkyo 7.1 – sonho de consumo, bem como a sala capaz de suportar um HT desse. Quem sabe o FD não me deixa rico a ponto de conseguir um desses?

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428: Fūsa Sareta Shibuya de também levou 40/40 na Famitsu

Delírios home-theaterísticos a parte, não me entendam errado: eu gosto de reviews. Consulto muitas resenhas antes de me decidir pela compra de algum jogo. As vezes até escrevo alguns para ajudar os amigos. Só não consigo aceitar essa geração leite-com-pêra que tem preguiça de ler/ouvir/ver uma análise bem feita e só quer ver a nota. E eu acredito que isso acabe alimentando essa ‘inflação’ de notas, onde um jogo que tirou 8 é ruim, 8,5 é mediano e só são considerados bons os jogos com notas acima de 9. E daqui a pouco estrapolamos a barreira dos 10 e começaremos a dar 11 para alguns jogos… Sonho com um dia onde os reviews serão apoiados em pontos positivos, negativos, comparações com outros jogos e, no máximo, um sistema diferente de qualificação. Que tal algo do tipo: COMPRE NO LANÇAMENTO / COMPRE QUANDO PUDER / COMPRE NA PROMOÇÃO / ALUGUE / JAMAIS PASSE PERTO ?

Uma outra dica é tentar descobrir personalidades que tenham gostos parecidos com o seu. Eu tenho um apreço por jogos de RPG ocidentais bem similar ao do Caio Corraini, jornalista do Arena iG; logo eu sempre leio os reviews que ele faz. Mas nem por isso eu levo a opinião dele como palavra definitiva: é só lembrar que ele curte Fifa e eu não consigo jogar futebol. Nem de verdade. Outro exemplo são os reviews que o pessoal do GiantBomb, Rocket Paper Shotgun e Touch Arcade fazem. E com o advento do Youtube, como ignorar os reviews em vídeo? É ótimo para ter uma noção de como o jogo é. Por essas e outras que eu curto muito o First Attack daqui do FD. E nem é pra puxar o saco do chefe!

Claro que eu tenho saudades das revistas de games que tínhamos na década de 90. Elas tinham toda uma magia… mas eram a nossa única fonte de review. Com umas duas ou três fotos, no máximo. Naquela resolução ótima. Mas esse já é um assunto para uma próxima hysteria…

Bruno Esteves

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6 Comentario(s)

  • Bruno 3 anos atrs

    Parabéns pelo texto…muito bem escrito, e aborda algo que dificilmente é comentado no mundo dos games. Concordo com você que esse sistema de notas tem que mudar, por mim não deveria existir, para assim estimular a leitura do review.

    • Valeu Xará!

      E ainda sonho com 'notas' mais subjetivas, ou mesmo a ausência delas. Mas enquanto elas derem ibope…

  • Ótimo texto. o/
    Acho essa dica de procurar alguém que faça review's e tenha uma personalidade parecida muito boa. Não concordo muito com esse sistema de notas, porque você pode acabar comparando um jogo com o outro sem que os dois sejam do mesmo gênero. Ultimamente tenho visto mais review's e notas no Metacritic, procuro ver a media de notas e caso tenha review's negativos, ver o porque e se esses pontos vão me influenciar, mas o fator determinante para mim são gameplays no youtube e a indicação que algum amigo tenha passado de um jogo, então o jogo para mim acaba caindo nas categorias “Vale a pena” ou “ Não vale a pena”.

  • o Vlw!

    Pois é, como os reviews são pessoais, nada mais justo que seguir alguém que tenha gostos parecidos com você. E concordo com vc sobre comparar jogos muito diferentes: Tetris é melhor, pior ou o quê em relação a Far Cry 3? O pokémon original é superior a Portal? Não temos nem critérios de comparação…

    Hoje eu ainda tenho um critério intermediário ao seu 'Vale' ou 'Não vale', que é o 'Vale numa promoção do Steam/PS+/XBLA' =D

  • Haruki 3 anos atrs

    Concordo, não com tudo mas pelo menos com a maior parte do texto

  • LesmaPsicotica 3 anos atrs

    Muito bom texto, parabéns
    Concordo plenamente com você. Hoje em dia as notas são usadas como armas para decidir qual jogo têm a melhor "estrelinha dourada".
    Um exemplo disso é só ver o review que Simon Parkin deu para Uncharted 3 no site da Eurogamer: uma nota 8/10 (o que é uma ótima nota, e bem explicada durante o texto de Parkin) que gerou comentários extremos e muito revoltosos dos fanboys no site, apenas porque não era um 10.

    Espero que algum dia o conteúdo do review em si (seja ele em áudio, vídeo ou texto) tenha mais valor do que os números em vermelho no final.