A noss0 colaborador Thiago Cantalupo nos conta um sobre suas experiências e reflexões em Dust: An Elysian Tail ! Mande seus reviews também!

Ashes to Ashes…

Por vezes na sua jornada pelo mundo você ira se esforçar, treinar, dar tudo de si, o seu melhor e ainda assim não será o suficiente. Poucas obras de arte com que eu tive contato tiveram a coragem de propor algo tão provocativo e frustrante, terrível e maravilhoso como este tema. Dust: An Elysian Tail começou a ganhar minha admiração desde sua primeira aparição.

No tempo que passei na companhia do insólito grupo de personagens principais Dust (um coelho antropomórfico), Farah (uma espada consciente) e Fidget (uma espécie de gato voador) eu experimentei o poder de um espadachim magistral e uma fúria justa contra os genéricos globins e homens lagartos que infestam o mundo fantástico de Falana. Este aspecto do jogo, o poder de Dust, fica evidente através dos controles afinados que traduzem seus movimentos em um belo balé de golpes que dizima os pobres inimigos com uma ferocidade assombrosa. É interessante que apesar de ser um jogo de duas dimensões os golpes procuram os oponentes, o que torna o combate fluido e ágil.

Suas fases são muito bem desenhadas e recompensam o jogador que gosta de explorar. Usando a criatividade pude chegar a lugares que só seriam possíveis ao conseguir habilidades novas, o que torna o jogo acessível e ainda assim desafiador. Um dos seus pontos mais fortes é o fato poder agradar iniciantes e jogadores mais experientes, contando inclusive com um modo hardcore. A mecânica de itens e vendedores deveria ser uma lei para todos os jogos. Depois de vender um item ele passa a contar no estoque dos vendedores, nada de procurar itens para melhorar a minha armadura, basta compra-los. Um jogo que respeitou meu tempo.

A história começa bem devagar e com um arquétipo já muito usado: o herói desmemoriado. Dust não sabe quem é ou porque está de posse de uma espada mágica. A pequena Fidget o segue por que a sua família é guardiã de Farah (a espada consciente). Ao seguir pelas fases e pelo enredo fui apresentado ao antagonista: General Gaius. Capaz na sua busca por poder de conduzir uma guerra que levaria ao extermínio de toda uma raça e ao sofrimento da sua própria, mas ainda assim se mostrou um personagem profundo que também demonstra fortes sentimentos de amizade e companheirismo por Dust, com quem tem um passado enigmático e desperta uma pergunta que movimenta o enredo: O que Dust, que se revela um herói por seus atos, tem em comum com um genocida? Apesar da história principal muito bem polida, falta o mesmo esmero ao tratar personagens secundários que algumas vezes lhe oferecem buscas que não convencem e parecem estar ali apenas para prolongar o jogo.

Ele tem uma estética de desenho animado e belos efeitos sonoros, pena que a musica em si não tem nada de memorável.

Eu percebi homenagens a vários jogos em Elysian Tail, pequenos pedaços de pão para quem joga videogame (a infame piada com a lógica dos jogos), mas nada que atrapalhe a alguém que nunca jogou nada na vida.

Mesmo tendo poderes tão grandes Dust (e eu) não conseguiu mudar o curso de várias ações. O que eu senti quando mesmo com vontade e trabalho não foi possível salvar uma vida? Quando isso aconteceu, um elo com a realidade foi formado. Nós estamos acostumados a ver filmes e livros em que quando as pessoas cooperam e trabalham para um objetivo, as adversidades são superadas. Isso nos fez esquecer que a realidade subverte as intenções. E como se comportar diante disso? O que fazer quando você fez tudo certo e ainda assim tudo deu errado? Essa é a bela pergunta que Dust: An Elysian Tail tenta responder.

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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