Agora em sua segunda semana consecutiva Thiago Cantalupo fala sobre Alan Wake, o jogo de horror feito pela Remedy. Mande seus reviews também!

I see a red door, i want to paint it Black…

Medo do escuro. Uma sensação infantil e universal que todos compreendem e experimentam em algum momento. O próprio lar transfigurado a noite depois das sugestões de um filme de terror, a volta para casa na escuridão com a imaginação excitada pelo que pode te esperar no caminho escondido entre as sombras. O medo do escuro é o medo do desconhecido e da incerteza, é a duvida que surge quando os olhos não conseguem enxergar. É a lembrança de que tais duvidas irão nos acompanhar por toda a vida. Este é o tema de Alan Wake.

O protagonista do jogo, Alan Wake, um escritor que sofre um bloqueio criativo, é apresentado em uma fase que se passa dentro de um sonho, muito vívido – mesmo para os padrões de quem vive da criatividade. Uma escuridão sobrenatural que parece nanquim se dissolvendo na água toma conta do mundo e persegue Alan, possui pessoas ao seu redor e tenta, de todas as formas, matá-lo. Apenas uma luz, com ares divinos, o guiava ao mesmo tempo em que me ensinava os comandos básicos do jogo.

De ferias em Brigth Fall’s, Alan e sua esposa, Alice, tem a chance de consertar o casamento que não vai muito bem. A cidadezinha é muito parecida com a paisagem do sonho macabro e também tem uma escuridão perceptível. Eles se hospedaram numa cabana em Caudron’s Lake e lá ele fica sabendo que ela escolheu esta cidade por que ali reside um psiquiatra especializado em ajudar criadores com problemas. O personagem principal em um acesso de raiva toma uma atitude cruel: sai da cabana e parte para a floresta escura onde sua esposa, que tem fobia da escuridão, não irá segui-lo. Mas, quando estava quase chegando ao carro escuta os seus gritos e vê que as luzes da cabana se apagaram. Desesperado, ele volta correndo para a cabana e ao ver a mureta de proteção quebrada pula no lago atrás dela e antes de chegar à água tem a visão de uma mulher – a mesma que lhe deu a chave da cabana – puxando Alice para o fundo do lago. Ao abrir os olhos, se vê dentro de um carro acidentado no meio de uma floresta, tomada pela escuridão dos sonhos, e aqui Alan tem que enfrentar pessoas controladas pela escuridão para descobrir como chegou até ali e o que teria acontecido nesse lapso de tempo.

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Aqui o jogo se define como um jogo de ação. Eu fui capaz de enfrentar e derrotar os inimigos com um pouco de estratégia e ajuda dos excelentes controles. Os inimigos são quase sempre humanos tomados pela escuridão e é preciso ilumina-los antes de derrotá-los. A atmosfera do jogo é mantida pelos cenários que são florestas assustadoras, pelos efeitos sonoros e pelas belíssimas musicas. A mecânica muda poucas vezes durante as oito horas de duração, mas como é bem funcional e divertida ela se sustenta e ajuda a contar a historia. Algo que me chamou a atenção foi que o jogo constrói e eleva seu clima sem nunca recorrer à violência explicita, ao gore.

São inúmeras as referencias de Alan Wake a outras obras: Além da imaginação, Max Paine, Chamado do Cthulhu e até mesmo ao Senhor dos Anéis além tantas outras. A própria estrutura do jogo segue o padrão de uma série de TV.

Os maiores trunfos de Alan Wake são a exploração da barreira entre realidade e ficção e as pequenas sutilezas que são apresentadas ao seu decorrer. Ao avançar é possível encontrar páginas de um manuscrito chamado Departure que conta o que está acontecendo nos jogo e os sentimentos dos outros personagens. O autor do manuscrito é, adivinhe só, Alan Wake. Ao prestar atenção nos detalhes se pode interpretar uma história completamente diferente do que é contado com explicações diversas para o que está acontecendo em Brigth Fall’s. Isso o tornou tão bom para mim: Um mundo inteiro inventado e entrelaçado sobre temas (a escuridão e as duvidas que não podem ser respondidas) que são consistentes em todos os níveis de interpretação. É, sem duvidas, uma das histórias mais bem contadas dos videogames porque respeita a inteligência de quem está jogando e não se atem a explicações fáceis, na verdade dá o mínimo de explicações possíveis já que estas, segundo Stephen King, seriam contrarias a poesia do medo.

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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3 Comentario(s)

  • Pocket Vin Diesel 3 anos atrs

    Alan Wake esta entre os melhores jogos dessa geração…fato!

  • Squallnathan 3 anos atrs

    Alan Wake foi o jogo que me despertou a vontade de ter um Xbox 360. Comprei a edição de colecionador anos antes de conseguir comprar o console e quando consegui jogar, não me arrependi. Se algum dia a sequencia sair pro Xbone, sem dúvida que ela me fará comprar o console da Microsoft.

  • Estou jogando ALan Wake há algum tempo, mas ainda não terminei. Não consigo jogar por muito tempo. Realmente, a ambientação e atmosfera do jogo são muito boas, mas a jogabilidade não me prende muito. Mesmo assim, ainda estou curioso pra ver aonde a trama vai terminar.