O colaborador João Salvadoretti traz pro FD uma pérola do passado, King of Dragon Pass que se passa no mesmo cenário do clássico Hero Quest (da Grow).

Lançado em 1997, KoDP coloca você como líder de clã de Orlanthis no mundo de fantasia de Glorantha (o mesmo do jogo Hero Quest e Rune Quest, criado por volta de 1975) que devido a ascensão do Pharaoh, são forçados a migrar para o Dragon Pass. Para colonizar esta região você terá que lidar com clãs rivais e outras ameaças para uni-los e se tornar o King ou Queen do Dragon Pass, em uma combinação única de Estratégia, Visual Novel, RPG e Administração.

Primeiro você irá criar um clã, decidindo o passado mitológico dele, o que irá determinar as suas tradições, as quais você deverá estar atento, pois sendo uma tribo na Idade do Ferro, os Orlanthis são um povo supersticioso e que valoriza as tradições.

Seu povo está organizado em uma hierarquia na qual há os Thralls (escravos, que alguns clãs possuem), Cottars (homens livres), Carls (senhores de terra), Weaponthanes (guerreiros) e Thanes (nobres). Você precisa manter um cuidadoso equilíbrio para evitar conflito entre eles. Liderando o clã está o Clan Ring, composto por sete nobres que você pode escolher e que possuem diferentes habilidades.

A passagem do tempo é feita por turnos e cada dois turnos são uma estação, com o ano sempre começando pelo Sacred Time. Isso é muito importante, pois a sua economia depende de colheitas e a criação de animais, você até tem artesãos, mas o que realmente tem valor é o gado usado tanto no plantio quanto para criação.

Você também poderá enviar emissários para estabelecer alianças e resolver problemas com as outras tribos, mercadores para comprar ou vender bens e gado, e até exploradores para encontrar tesouros.

Conflitos são quase inevitáveis, pois as relações entre os clãs são extremamente voláteis, rixas e guerras podem estourar ao menor insulto. Incursões tanto para apenas roubar gado ou mesmo para saquear as terras de uma tribo são normais. Defendendo suas terras, ou atacando alguém, você escolhe os preparativos da batalha e o plano geral contando com a sorte e números para vencer.

A religião e a magia são muito importantes, pois os deuses são forças reais no cenário, além do fato que sua tribo espera que você honre-os. Para isso, você poderá erguer templos e neles realizar sacrifícios para obter diferentes bênçãos ou descobrir mais sobre os mitos e mistérios dos deuses.

Esse conhecimento dos mitos é empregado na talvez mais interessante mecânica do jogo: a Hero Quest, na qual um membro da tribo ira reencenar e reviver os eventos de um mito entrando em um reino espiritual, se obtiver sucesso poderá obter algum tesouro ou benção para a tribo, mas se falhar o resultado será negativo.

A magia por sua vez é um recurso que, no inicio de cada ano, você pode gastar para melhorar diferentes áreas como: plantações, guerra, diplomacia ou então guardar e usar durante batalhas ou eventos.

Mas o grande destaque do jogo é quase a centena de eventos aleatórios que ocorrem, normalmente abordando temas relacionados à sociedade e mitologia de Glorantha. Você precisa tomar decisões em situações que envolvem divórcios, rixa entre pessoas ou clãs, eventos sobrenaturais, questões de lei e tradição, crimes, entre outras, muitos desses eventos tem desdobramentos. Para ajudá-lo a tomar uma decisão, você pode pedir conselhos ao Clan Ring, em que cada um dirá o que pensa.

O jogo não possui animações, sendo os seus gráficos ilustrações muito bonitas feitas por Stephano Gaudino e Mike Raabe, muito semelhante a uma visual novel. Mas que ajudam a estabelecer o clima, junto com a música composta por Stan LePard, que vai se adaptando conforme as coisas acontecem.

As mecânicas do jogo são bastante detalhadas, e talvez um tanto complexas (sendo necessário ler o manual) e um pouco confusas, principalmente que alguns resultados parecem quase arbitrários, visto que nem sempre o jogo comunica bem por que alguma coisa aconteceu ou mesmo que algo é aleatório.

Mesmo assim, King of Dragon Pass é um excelente jogo, para quem curtiu jogos como FTL e que utilizam uma jogabilidade emergente. Combinada com um universo muito rico, vale a pena conhecer este jogo.

Host do Last Hit, atração sobre League of Legends do Fênix Down. Videos, podcasts e futuramente muito mais.

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